Como o mundo vê o Brasil depende de quem fala por ele. Em 2025 os Estados Unidos taxaram os produtos brasileiros em 50%. Um filho de Jair Bolsonaro atuou por isso e foi condenado; o outro agradeceu. Lula respondeu que o Brasil não aceita tutela. Dados apurados até 14 de outubro de 2026.
A história
O tarifaço e os Bolsonaro
Trump anunciou a tarifa citando o tratamento dado a Jair Bolsonaro. O que cada filho fez. Toque para ler.
2025–2026
Flávio agradeceu a Trump horas depois do anúncio da tarifa de 50%
Em 9/7/2025, cerca de seis horas depois de Donald Trump anunciar tarifa de 50% sobre produtos brasileiros citando o tratamento dado a Jair Bolsonaro, Flávio publicou no X, em inglês, um agradecimento a Trump e o pedido de aplicação da Lei Magnitsky, ao compartilhar postagem do irmão Eduardo. Envolvimento pessoal: a publicação é dele. Em 28/8/2026, no Jornal Nacional, disse que Eduardo "errou de agradecer com relação às tarifas"; em 2026 pediu por escrito aos EUA a suspensão das tarifas e passou a afirmar que a tarifa "é do Lula".
Eduardo atuou nos Estados Unidos por tarifas e sanções, e foi condenado por isso
Nos Estados Unidos desde 2025, o então deputado atuou junto ao governo Trump por tarifas e sanções contra autoridades brasileiras. A PGR o denunciou em novembro de 2025, sustentando que ele buscou intimidar o STF para impedir a condenação do pai, citando o tarifaço, a suspensão de vistos de ministros e a Lei Magnitsky. A defesa, a cargo da Defensoria Pública da União, afirmou que ele fez apenas 'interlocução política', protegida pela liberdade de expressão, e que não tem poder sobre decisões do governo americano. Em 16 de junho de 2026, a Primeira Turma do STF o condenou por unanimidade a 4 anos e 2 meses de prisão em regime semiaberto, com inelegibilidade e perda do cargo de escrivão da PF; os embargos de declaração foram rejeitados em 18 de setembro de 2026. Antes disso, em 18 de dezembro de 2025, a Mesa da Câmara declarou a perda do mandato por excesso de faltas.
Situação de Eduardo Bolsonaro
condenado pelo STF (16/06/2026), embargos de declaração rejeitados (18/09/2026) — trânsito em julgado não confirmado; inelegível; mandato de deputado federal perdido por faltas (18/12/2025); vive nos EUA e não iniciou o cumprimento da pena
E Flávio?
Flávio Bolsonaro não foi denunciado nem é réu nessa ação. O posicionamento dele sobre a atuação de Eduardo nos EUA está em item próprio do site.
Flávio escreveu ao governo americano oferecendo compromissos sobre o Pix
Em 2/6/2026 Flávio enviou ofício ao secretário de Estado dos EUA pedindo que não fossem impostas tarifas e colocando sua "equipe de transição" à disposição caso eleito; em 1º/7/2026 protocolou comentário no órgão de comércio americano (USTR), como senador, líder de oposição e pré-candidato. No documento, contestou a queixa contra o Pix e pediu a suspensão da medida com 180 dias de negociação, mas ofereceu como "sinal decisivo" um compromisso legislativo de não interligar o Pix a arranjos internacionais "não ocidentais", considerou procedentes pontos sobre patentes e ordens judiciais a plataformas, afirmou que o Brasil busca se libertar de amarras do Mercosul e listou, num anexo de "hostilidade pública aos EUA", a não assinatura de um acordo de terras raras pelo governo Lula. Envolvimento pessoal: os documentos são assinados por ele. Flávio afirma que "ninguém vai mexer no Pix", que o uso interno não muda e que "o Brasil não pode brigar com os Estados Unidos"; Lula disse que "o Pix é do Brasil". A tarifa de 25% foi aplicada pelos EUA em julho de 2026.
Na Assembleia Geral da ONU (22/9/2026), Lula disse que o Brasil não aceitará interferência em suas instituições nem tutela externa sobre fronteiras e águas, que a democracia brasileira pertence aos brasileiros e que o país "não cabe no quintal de ninguém".
O governo e a campanha tratam as tarifas e sanções dos EUA como tentativa de ingerência na eleição; a propaganda de TV de 7/9/2026 teve o título "O Brasil não se entrega" e, desde abril de 2026, Lula repete que o Pix é do Brasil.
Sobre minerais críticos, Lula afirmou que ninguém será dono da riqueza mineral brasileira e sancionou lei que cria conselho com poder de barrar operações que ameacem a soberania ou o abastecimento interno.
O governo sustenta que negociações comerciais com os EUA devem seguir os canais oficiais (Itamaraty, MDIC e embaixada) e que compromissos assumidos por um candidato não têm caráter oficial; negou vistos a enviados americanos que queriam discutir o sistema eleitoral, o que o assessor Celso Amorim chamou de desrespeito à soberania.
Outros episódios em que a soberania esteve em jogo
De um lado, o que Flávio fez ou disse. Do outro, a posição de Lula.
jul.2025 a jul.2026
Tarifas e sanções dos EUA
Trump elevou a tarifa a 50% em 30/7/2025, citando decisões da Justiça e o processo contra Jair Bolsonaro; os EUA sancionaram Alexandre de Moraes (retirado da lista em 12/12/2025) e, em 22/7/2026, aplicaram sobretaxa de 25%. Pesquisa Genial/Quaest de 10 a 13/7/2026 registrou 51% de acordo com a versão de que Flávio pediu sanção contra o Brasil e 30% com a de que Lula provocou Trump.
Flávio e Jair Bolsonaro
Flávio agradeceu a Trump em 2025 e, em 2026, pediu por escrito o adiamento da sobretaxa por 180 dias, dizendo que ela fortaleceria Lula; nega ter pedido tarifas.
Lula
Lula ligou as tarifas à tentativa de ingerência eleitoral, manteve negociação pelos canais oficiais e reuniu-se com Trump em outubro de 2025 e maio de 2026.
Compromisso sobre o Pix e pedido ao órgão de comércio dos EUA
No comentário de 1º/7/2026 e em audiência em 7/7, Flávio contestou a queixa americana contra o Pix e ofereceu o compromisso de não integrá-lo a sistemas de liquidação de países não ocidentais; aliados disseram que isso significa não levar o Pix à China.
Flávio e Jair Bolsonaro
Flávio afirmou que o Pix não é um problema a corrigir e que nomearia um negociador imediatamente se eleito.
Lula
Lula chamou a carta de entreguismo e disse que pedir o adiamento das tarifas para depois da eleição fazia de Flávio traidor da pátria; o governo não enviou representantes à audiência.
Discurso de Flávio na CPAC: observação eleitoral e terras raras
Em 28/3/2026, no Texas, Flávio pediu que os EUA e o "mundo livre" monitorem a eleição e apliquem pressão diplomática, e disse que o Brasil é a solução para os EUA reduzirem a dependência da China em minerais críticos.
Flávio e Jair Bolsonaro
Flávio declarou no mesmo discurso que não quer interferência nas eleições e chamou Lula e o PT de antiamericanos.
Lula
O governo passou a associar a atuação de Flávio e de Eduardo Bolsonaro nos EUA à pressão americana e levou o tema à propaganda eleitoral.
Urnas, diplomatas e vistos negados a enviados americanos
Em 21/7/2026, diante de representantes de 42 países, Flávio associou urnas usadas no Brasil à empresa Smartmatic e pediu observadores internacionais; o TSE negou a informação. Em 24/7, o Itamaraty negou vistos a dois funcionários do Departamento de Estado que, segundo a embaixada, pretendiam também encontrar Flávio.
Flávio e Jair Bolsonaro
A campanha disse que a fala foi descontextualizada e reafirmou confiança integral no processo eleitoral. Manifestação de Flávio sobre os vistos não localizada.
Lula
Celso Amorim classificou a missão como desrespeito à soberania; o Planalto afirmou que a principal ameaça à eleição é a desinformação.
Sob Lula, Brasil e China criaram mecanismo de compensação em moedas locais, segundo a Folhapress. Em setembro de 2026 foi sancionada a Política Nacional de Minerais Críticos e Estratégicos; a mineradora de terras raras Serra Verde foi vendida à USA Rare Earth em abril de 2026, em operação entre empresas privadas.
Flávio e Jair Bolsonaro
Flávio defende que o Brasil seja alternativa de fornecimento de minerais críticos aos EUA, critica o que considera excesso de intervenção estatal e criticou medidas de desdolarização; o plano não menciona o BRICS.
Lula
Lula defende controle e processamento dos minerais no país e manteve a participação no BRICS, que o Brasil presidiu em 2025.
A carta aos EUA é "entreguismo" e tentativa de subordinar o Brasil a interesses americanos; pedir o adiamento das tarifas para depois da eleição o torna traidor da pátria.
Fontes da diplomacia brasileira e Celso Amorim, segundo a CNN Brasil
A missão do Departamento de Estado e as declarações de Flávio e Eduardo contra as urnas fariam parte de ação coordenada; a iniciativa é desrespeito à soberania.
Felipe Krause e Henry Large, na Foreign Policy (setembro de 2026)
Um governo Flávio poderia relevar coerção dos EUA em troca de apoio político, enfraquecendo os princípios de soberania de que o país depende; a retórica sobre a China é mais dura que o plano e teria custo para o agronegócio.
A associação entre urnas brasileiras e a Smartmatic, feita diante de diplomatas estrangeiros, é falsa: a empresa nunca forneceu urnas nem softwares ao país.
Queimadas na Amazônia, Fundo Amazônia e atrito com a França
Em 2019, Alemanha e Noruega suspenderam repasses para novos projetos do Fundo Amazônia depois de o governo propor mudanças no uso dos recursos e extinguir colegiados de gestão. Em agosto, Emmanuel Macron tratou as queimadas como emergência global e disse que a França poderia não ratificar o acordo Mercosul–UE; em 30/8, Angela Merkel telefonou a Bolsonaro.
Em maio de 2020, a revista médica britânica The Lancet publicou editorial afirmando que o presidente era talvez a maior ameaça à resposta brasileira à covid-19 e que ele precisava mudar de rumo.
Em 21/10/2020, Bolsonaro afirmou que o governo federal não compraria a vacina CoronaVac, da chinesa Sinovac com o Instituto Butantan, um dia depois de o Ministério da Saúde assinar protocolo de intenções para 46 milhões de doses.
Em 18/7/2022, no Palácio da Alvorada, Bolsonaro criticou as urnas eletrônicas e o TSE diante de embaixadores estrangeiros, repetindo suspeitas de fraude sem apresentar provas. Em 30/6/2023, o TSE o declarou inelegível por oito anos por causa do evento.
Em 2/1/2023, na posse de Lula, o presidente alemão Frank-Walter Steinmeier anunciou a retomada dos aportes da Alemanha ao Fundo Amazônia (€ 35 milhões); o fundo foi reativado após determinação do STF de novembro de 2022.
Em 18/11/2024, o G20 presidido pelo Brasil lançou a Aliança Global contra a Fome e a Pobreza, com adesão de 82 países, e aprovou declaração que menciona a taxação dos super-ricos. Em 20/11, Xi Jinping fez visita de Estado a Brasília; o Brasil não aderiu formalmente ao Cinturão e Rota.
A conferência terminou em 22/11/2025 com um pacote que pede triplicar o financiamento à adaptação até 2035 e sem roteiro para o abandono de combustíveis fósseis no texto formal; os líderes de EUA, China e Índia não foram à cúpula. A Alemanha anunciou € 1 bilhão para o Fundo Florestas Tropicais para Sempre, lançado pelo Brasil.
Em 17/1/2026, em Assunção, ministros do Mercosul, Ursula von der Leyen e António Costa assinaram o acordo; Lula não compareceu e foi representado por Mauro Vieira. A parte comercial entrou em vigor provisoriamente em 1º/5/2026, com o texto sob análise do Tribunal de Justiça da UE.
The Economist · Reino Unido · 1.ago.2019 · Editorial
Editorial "Deathwatch for the Amazon" afirma que o desmatamento se acelerou desde a posse e defende que consumidores e parceiros comerciais deixem de comprar produtos brasileiros se o governo não proteger a floresta.
Editorial da revista médica afirma que o presidente era talvez a maior ameaça à resposta do país à covid-19, por desafiar medidas de isolamento, e que ele deveria mudar de rumo ou sair.
The Economist · Reino Unido · 3.jun.2021 · Análise
Capa "Brazil's dismal decade" e reportagem especial dizem que o país vive a pior crise desde a redemocratização e que Bolsonaro agravou o quadro e abandonou reformas liberais propostas por Paulo Guedes.
The Economist · Reino Unido · 28.ago.2025 · Editorial
Capa sobre o julgamento de Jair Bolsonaro diz que o Brasil oferece aos EUA uma lição de maturidade democrática; ressalva o poder concentrado no STF e entraves fiscais.